2 de julho de 2014

Ferrez, o escritor marginal

Reprodução da internet

Ferrez é escritor, contista e poeta. Escritor, contista e poeta da Literatura Marginal. Marginal mesmo, da marginalizada periferia. Da periferia para ela mesma e para quem quiser ler. Entre os sete livros publicados estão também parcerias com revistas, canais de internet e trabalhos sociais de um entusiasta da cultura Hip Hop e dos clássicos saraus de poesia que ocorrem no Capão Redondo (SP), onde ele mora. Ferrez bateu um papo com o Desvio Livre sobre algumas das coisas que pertencem ao mundo da Literatura Marginal. Educação, política, povo, cultura e sociedade. Então, bora ler?

DL - Como você enxerga a relação do jovem com a literatura? O que falta para estimular o jovem a ler?

F- Falta a literatura chegar na dimensão que os moleques estão. Falta mostrar a literatura de fato como livre acesso. Por exemplo, escritores como Marcelino Freire, Renan Inquérito, Rodrigo Ciríaco entre outros são escritores que tem a ver com os meninos, que eles leem e se identificam. Falta trazer esse tipo de literatura à tona. Machado de Assis é muito bacana, mas para um leitor que já está num nível mais alto. Para uma iniciação e primeira impressão da leitura, tem que trazer uns autores mais fáceis.


DL- Qual o papel da internet no cenário da literatura marginal?

F- A internet tem um papel fundamental, eu mesmo tenho um site só para colocar textos e contos para as pessoas terem acesso. Tem também o facebook que é um meio de comunicação importante. Acho que o escritor tem que ir onde o público está, viajar pra onde for preciso, mas tem que estar na rede. Acho importante estar na rede para disponibilizar a literatura lá primeiro.


DL- O que você acha do sucesso do funk ostentação?

F- Esse movimento retrata um pouco desse novo jovem que quer mais o consumo do que ser algo. Me preocupa muito o cara escutar uma música que só fala de marca de roupa, joias e carros importados. Acho que eu queria bem mais desses moleques e eu sei que esses moleques são bem mais capazes de fazer coisa melhor.


DL- Você acha que existe Esquerda e Direita na periferia? 

F- Sinceramente, acho que não. Existe a pessoa com quem as pessoas se identificam, tipo o nome da Dilma é mais fácil e tem mais a ver com o povo do que o Aécio, por exemplo. Acho que é isso, o povo na hora de votar escolhe mais a pessoa, não sei se é muito partidário. Quem é partidário grita e fala muito de partido, mas acho que é mais pela pessoa, não tem isso de Esquerda ou Direita. Eu não diria que isso é deflagrado em partido. Mas que tem pensamentos de Esquerda e pensamentos de Direita, isso tem.


DL- Completamos um ano das manifestações de junho, quais as mudanças de lá pra cá?

F- Realmente o país mudou. Há anos estamos alertando que o país vai mudar, que as pessoas estão revoltadas e insatisfeitas. As manifestações foram o estopim e nunca mais parou. Todos os dias tem protesto em algum lugar e acho que nunca mais vai parar. Acho que é só um começo de uma demanda, as pessoas querem um país de verdade, mais justo. A Copa foi só o estopim, o que faltava. Acho que faltava uma coisa gritante que gastasse milhões enquanto muitos não tem condições mínimas. Esse é o verdadeiro país dos excluídos e os excluídos estão gritando.

DL -Qual a importância da educação na transformação do país?

F- A educação é tudo. Sem educação e cultura não temos uma nação, uma condição de povo. O povo não vai se levantar para melhorar, pois não se ajuda enquanto não tem esclarecimento. E o esclarecimento quem dá é a educação e a cultura. São duas bases fundamentais para qualquer país que quer se tornar primeiro mundo. E o Brasil não está ligando pra isso...




A autora e Ferrez - Arquivo pessoal











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