24 de março de 2015

"Não sou escrava da vaidade e nem da moda. O meu intuito sempre foi me sentir bem"


Simone Gutierrez no camarim - Divulgação


Conte sobre sua trajetória. Como entrou no mundo da arte e como se profissionalizou?

Eu tenho 38 anos, faço dança desde os 3 anos e sou formada em ballet classico, jazz e sapateado. Comecei a fazer musicais em São Paulo em 2001. Minha primeira peça foi “Les Miserábles”, depois veio “A Bela e a Fera”, “Comunitá”, também “O Musical dos Musicais”, “Garota Glamour” ambos dirigidos pelo Wolf Maya, “Sonho e Fantasia”, “Um sonho é um Desejo” e “Tarzan” todos da Walt Disney Company (Orlando), entre outros espetáculos menores. Fiz especialização em Musical Theatre na Broadway Dance Center e na Open Jar Institute em New York. Logo depois fiz minha primeira protagonista no teatro, no musical “Hairspray” (Tracy Turnblad), e de lá pra cá comecei minha carreira na tv através de convites de autores e diretores para fazer novelas. Entre elas: “Malhação”, “Passione”, “Cheias de Charme”, “Jóia Rara” e recentemente estou no ar com a novela “Alto Astral”. Além disso, também comecei a produzir o espetáculo "AíPod". 

Como surgiu a produção de Aípod? Quais os planos para a turnê?

O AíPod mistura teatro, música, interatividade e humor. A peça aposta em um formato diferente, pois os atores interpretam diversos papéis. O espetáculo gira em torno de uma emissora de rádio, chamada “Rádio”, que conta com um casal de locutores, interpretado por Paulinho Correia (o Edu Berton) e Rita Londres (eu). A ideia é fazer uma crítica bem humorada ao que se ouve hoje nas programações das rádios. Nós não só atendemos os ouvintes que ligam para a emissora, como também fazemos as vozes deles. Como não pode faltar música na programação, eu e o Edu somos os cantores da banda Aípod, que conta ainda com quatro músicos: Cézar Benzoni (violão e bandolim), JP Silvestre (bateria e percussão), André Sangiovanni (baixo) e Luiz Panini (guitarra). Eles tocam ao vivo e em formato acústico versões de sucessos nacionais e internacionais que vão de Tom Jobim a Pink. O cenário é composto por três telões que ilustram essa gama de inventividade com vídeo clipes, comerciais, e-mails e participação do ouvinte. Tudo executado ao vivo por um VJ (André Hã). A interatividade com o público será explorada ao longo da peça, queremos que as pessoas participem, postem fotos, compartilhem nas redes sociais. Nossa ideia é que o palco seja como uma sala de estar com a plateia participando do espetáculo. A ideia é viajar com a turnê pelo Brasil  em 2015. 


Com a equipe do espetáculo Aípod - Divulgação


Como é fazer arte no Brasil? 

Tudo no Brasil é muito difícil, em especial a arte porque a única coisa que se valoriza aqui é o futebol. Então fica difícil numerar os desafios. Falta investimento em educação e incentivo fiscal. Mas as dificuldades são compensadas pelo simples motivo de que quando você faz porque ama tudo vale a pena.









Fale sobre o "Manifesto Verão" que você participou em 2014 junto com outras atrizes. Como surgiu a ideia e como você sentiu a recepção do público?

O que motivou a reunião das “gordelícias” foi uma publicação na qual uma revista ensinava a mulher que “se deu mal” na dieta a ir à praia e se cercar de crianças para fazer um buraco na areia e depois se enterrar. Também sugeriram andar com roupas largas e estampadas como se fossem burcas para não serem vistas. Tinha até um tópico que dizia para a mulher fora do padrão não ir à praia! Ficamos chocadas com isso e decidimos nos manifestar. A sociedade está criando uma geração de bulímicos e neuróticos com tanta ditadura em relação à beleza.
A intenção não era fazer apologia à gordura e sim com que as pessoas se amassem mais do jeito que são. A receptividade foi tão bacana que nesse ano vamos lançar juntas um livro sobre o assunto. 

No ensaio "Manifesto Verão" - Foto: Janderson Pires

Como é ser um ícone de representatividade das mulheres na televisão e na mídia?

Eu fico feliz porque me acho “normal” como a maioria das mulheres brasileiras. E isso faz com que muitas se identifiquem comigo. Por isso a responsabilidade de ser uma pessoa pública acaba sendo maior. Mas assim como todos os seres humanos, tem dias em que estamos bem e outros não, então pra mim a credibilidade está na sinceridade e transparência. Eu não me sentiria bem vendendo a ideia de uma coisa que não acredito

Qual sua relação com seu corpo? E qual o papel dele na sua profissão? 

Eu me cuido, mas não sou escrava da vaidade e nem da moda. O meu intuito foi sempre me sentir bem seguindo ou não tendências. Pra mim o corpo do ator e da atriz tem que estar a serviço do personagem. Independente se ele for careca, cabeludo, gordo, magro, feio ou bonito. Não tenho frescura! 


Simone em suas várias facetas - Foto: Internet


Qual importância do amor próprio na vida de uma mulher?

Acho que passei a pensar sobre isso depois da adolescência. Se você não consegue se amar ninguém vai conseguir. 
















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